domingo, 13 de março de 2011

TV Digital no Brasil: De rico pra mico

   A realidade constante da "inovadora" tecnologia implantada no Brasil

   Já faz um tempinho em que assistimos, lemos e ouvimos nos meios de comunicação a divulgação em massa da então revolucionária TV Digital. Imagem e som de cinema e uma interação nunca antes vista foram os argumentos ‘políticos’ para promover a nova (aqui) tecnologia. Porém, o entusiasmo inicial parece que não se firmou na atualidade.
   A realidade é que em pleno ano 2011, são poucas as pessoas que detém da possibilidade de assistir a TV aberta em sinal digital. Só na grande São Paulo, estado pioneiro na implantação, muitas ainda são as críticas sobre a qualidade do serviço, que trava, falha, treme, distorce, sem contar a falta de cuidado das emissoras na transmissão em caráter HDTV. Além disso, os conversores, que segundo o então Ministro das Comunicações da época Hélio Costa, seriam vendidos a preço de banana ainda estão inacessíveis para àqueles cidadãos que hoje ainda possuem aparelhos de TV antigos, as chamadas TV’s de tubo.
   Será que ao desligar a transmissão analógica, acontecimento datado para o dia 29 de junho de 2016, toda a população brasileira estará com a atual cobertura de 99% em sinal de digital? Ou será um prazo prorrogado, como tantos outros que aqui são? Difícil não é prever que todos terão, e sim, se todos terão. No segundo semestre de 2010, somente 48 emissoras incluindo as chamadas ‘cabeças de rede’ estavam transmitindo sua programação em alta definição, o que ainda reforça o despreparo estrutural para esse tipo de transmissão, após quatro anos do inicio da implantação da tecnologia.
   Considerar a muito contragosto que ainda somos por muitos tratados como “país de terceiro mundo” até podemos. Porém, em hipótese alguma, podemos ser submissos a gastar absurdos para se enquadrar a padrões de tecnologias por capricho do nosso governo. Enquanto as promessas de interagir com os apresentadores, consultar programação como na TV a cabo, gravar seus programas ou até mesmo pausá-los ainda perduram, grande massa da população ainda precisa, poucas vezes, do bom e velho Bombril na ponta da antena. Essa novela não chegou nem na metade.

Por João Amaro - Fonte: O Canal TV

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